Medição ôhmica: por que 10 ohms é o limite e o que fazer se passar disso
É o número que decide se o seu laudo passa ou volta. E é também o número que mais muda de uma medição para a outra — sem que nada tenha sido mexido no sistema.
Medição com alicate terrômetro: o número que decide se o laudo passa.
O que a medição ôhmica realmente mede
A medição de resistência de aterramento verifica quão facilmente a corrente elétrica consegue se dispersar da haste para o solo. Quanto menor o valor em ohms, mais rápido a energia do raio se distribui — e menos ela sobra para percorrer caminhos indesejados, como a estrutura metálica do prédio ou o circuito de dados.
Ela não mede o para-raios. Mede o solo e as conexões. Por isso um SPDA visualmente impecável pode reprovar na medição.
Por que 10 ohms
O valor de 10 ohms é a referência prática consolidada para SPDA. A lógica é direta: durante uma descarga com dezenas de milhares de ampères, a tensão que aparece no ponto de aterramento é o produto da corrente pela resistência.
Com resistência baixa, essa tensão fica controlada. Com resistência alta, ela dispara — e é aí que aparecem os três problemas clássicos:
- Tensão de passo: diferença de potencial no solo que pode atingir quem estiver caminhando próximo ao ponto de descarga.
- Tensão de toque: diferença de potencial entre a estrutura e o solo, perigosa para quem estiver encostado em algo metálico.
- Retorno pela instalação: parte da corrente encontra caminho mais fácil pelos cabos de energia e de dados, queimando equipamentos.
Como a medição é feita em campo
Existem duas abordagens principais:
| Método | Como funciona | Quando usar |
|---|---|---|
| Queda de potencial (terrômetro com hastes auxiliares) | Injeta corrente no solo por meio de hastes auxiliares e mede a queda de tensão resultante | Sistema isolado ou com haste desconectável — é o método de referência |
| Alicate terrômetro | Mede por indução, com o sistema energizado e sem desconectar nada | Malhas interligadas e verificações de rotina, onde desconectar não é viável |
O laudo precisa registrar o método utilizado, o equipamento, a data e o valor obtido em cada ponto. Um único número no final do documento, sem detalhamento, é motivo frequente de recusa.
Por que o valor muda ao longo do ano
A resistência do aterramento depende da resistividade do solo — e a resistividade varia com três fatores:
- Umidade: o mais determinante. Em período seco, o mesmo sistema pode medir várias vezes o valor da estação chuvosa.
- Temperatura: solo frio conduz pior; em regiões de inverno rigoroso a diferença é perceptível.
- Compactação e composição: solo arenoso, rochoso ou aterro compactado têm resistividades muito diferentes de solo argiloso.
Uma medição feita depois de três dias de chuva não representa o pior cenário. Se o laudo precisa dar segurança real, o ideal é medir no período seco — ou registrar a condição do solo na data.
O valor passou de 10 ohms. E agora?
Antes de aumentar o sistema, vale seguir esta ordem — ela resolve a maioria dos casos com o menor custo:
- Verifique as conexões. Conexão corroída, solta ou com solda exotérmica malfeita é a causa mais comum de valor alto. Refazer a conexão pode derrubar o número sozinho.
- Confira a continuidade das descidas. Um cabo rompido ou uma emenda oxidada isola parte do sistema e distorce a leitura.
- Acrescente hastes. Respeitando o espaçamento mínimo entre elas — hastes muito próximas competem entre si e o ganho é pequeno.
- Aumente a profundidade. Hastes emendadas alcançam camadas mais úmidas e estáveis, com ganho maior do que espalhar hastes rasas.
- Use cabo em anel. Um condutor enterrado no perímetro da edificação aumenta bastante a superfície de contato com o solo.
- Trate o solo quimicamente. Em solos rochosos ou arenosos de alta resistividade, produtos de tratamento de longa duração reduzem a resistividade local. É a última opção pelo custo e pela necessidade de reaplicação.
O que exigir no relatório de medição
- Método utilizado e modelo do equipamento
- Data da medição e condição do solo (seco, úmido, após chuva)
- Valor em ohms de cada ponto medido, não apenas a média
- Croqui com a localização dos pontos
- Comparação com a medição anterior, quando existir
- Parecer conclusivo com a recomendação, se o valor estiver fora
Com que frequência remedir
A NBR 5419/2026 pede inspeção visual anual e novas medições a cada 12 meses, com a periodicidade exata variando conforme o nível de proteção da estrutura. Além disso, atualize a medição sempre que houver:
- Descarga atmosférica registrada na edificação
- Obra que tenha mexido no solo próximo ao aterramento
- Ampliação da edificação ou instalação de novos equipamentos sensíveis
- Indicador de falha acionado em algum DPS
Medição em campo
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